Como fazer o cachorro parar de comer cocô e entender a coprofagia
Você viu seu cachorro fazendo aquele “lanchinho proibido” no quintal e agora tá encarando a vida com outros olhos? Calma. É nojento, sim. Dá um nó no estômago, sim. Mas também a coprofagia é mais comum do que muita gente imagina.
Quando um cão come fezes, o nome disso é coprofagia. Pode acontecer por curiosidade, hábito, ansiedade, fome, tédio, erro no manejo, ou por alguma questão de saúde. A boa notícia é que, na maioria dos casos, dá pra melhorar bastante com rotina, treino e investigação certa.
E não, gritar “larga isso, cidadão!” enquanto corre em câmera lenta pelo quintal não costuma resolver. Apesar de render uma cena dramática.

Por que cachorro come cocô?
Antes de pensar em punição, vale entender o motivo. O comportamento pode ter várias causas. Algumas são simples. Outras pedem avaliação veterinária.
Curiosidade e fase de filhote
Filhotes exploram o mundo com a boca. Chinelo, folha, brinquedo, meia e, infelizmente, cocô. Para eles, tudo pode ser “pesquisável”. É o Google canino, só que muito pior.
Em muitos casos, o hábito diminui com maturidade, rotina e orientação. Mas se o cão percebe que isso chama atenção, mesmo atenção ruim, ele pode repetir.
Aprendizado com a mãe
Cadelas com filhotes pequenos costumam limpar o ambiente ingerindo fezes e urina da ninhada. É um comportamento natural nesse contexto. O problema é quando o filhote cresce e mantém a prática.
Ansiedade, tédio ou falta de estímulo
Cão entediado inventa moda. E nem sempre é uma moda bonita!
Se ele passa muitas horas sozinho, sem passeio, sem atividade e sem desafios, pode começar a comer fezes por estresse ou por falta do que fazer. Alguns cães também fazem isso quando ficam ansiosos, especialmente em mudanças de rotina.
Medo de bronca
Esse ponto é muito comum!
Se o cachorro faz cocô no lugar errado e leva bronca, ele pode tentar “sumir com a prova do crime”. Na cabeça dele, a lógica é simples: cocô no chão gera problema, então vou apagar a evidência. Péssima estratégia, claro. Mas cães não têm departamento jurídico.
Alimentação inadequada ou fome
Uma dieta desequilibrada, pouca comida, horários confusos ou competição com outros animais podem aumentar a busca por qualquer coisa com cheiro forte.
Aqui entra a parte de nutrição animal. Não é só encher o pote. O cão precisa de alimento adequado para idade, porte, rotina e orientação do veterinário.
Problemas de saúde
Algumas condições podem aumentar a fome, alterar a digestão ou fazer o cão buscar fezes. Entre elas: alterações intestinais, dificuldade de absorver nutrientes, vermes e doenças que mexem com o apetite.
Por isso, se o comportamento apareceu de repente, ficou intenso ou vem junto com perda de peso, diarreia, vômitos ou muita fome, marque uma consulta.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação veterinária, combinado?
O que fazer na prática para o cachorro parar
A melhor estratégia junta três coisas: manejo, treino e investigação. Traduzindo: remova a oportunidade, ensine o comportamento certo e cheque se existe causa física.
1. Recolha as fezes rápido
Parece óbvio, mas é o passo mais eficiente. Se não tem cocô disponível, não tem banquete do terror.
Crie uma rotina:
Recolha as fezes logo depois que o cão evacuar.
Limpe o quintal todos os dias.
Em casas com mais de um cachorro, observe quem faz e quem come.
No passeio, mantenha o cão próximo em áreas com fezes de outros animais.
Esse manejo reduz a repetição. E comportamento que não se repete perde força.
2. Não dê bronca depois do ocorrido
Se você encontrou a cena depois, bronca não ensina nada. O cão não liga o sermão ao ato passado. Ele só entende que você ficou estranho perto do cocô.
E, se ele já associa fezes a punição, pode comer mais rápido para esconder. O resultado vira uma corrida: você com o saquinho, ele com o “petisco” errado. Ninguém merece esse esporte.
Quando flagrar no momento, use uma interrupção calma, chame o cão e redirecione.
Algo como: “Vem!”
Aí recompense quando ele se afastar. Sem grito, sem susto, sem novela mexicana.
3. Ensine o comando “deixa”
O comando “deixa” é ouro. Serve para fezes, comida caída no chão, lixo, bicho morto e outros clássicos do cardápio proibido.
Comece em casa, com algo fácil.
Coloque um petisco simples na mão fechada.
Deixe o cão cheirar.
Quando ele parar de tentar pegar, diga “deixa” e recompense com outro petisco.
Repita até ele entender.
Depois treine com o item no chão, sempre com supervisão.
Só avance quando ele estiver acertando.
A ideia é ensinar que ignorar algo rende coisa melhor. Para o cão, isso faz sentido. Moral da história: seja mais interessante que o cocô. Frase estranha, missão nobre.
4. Recompense o banheiro certo
Quando o cão fizer cocô no lugar correto, elogie com calma e recompense. Depois recolha.
Isso ajuda muito cães que comem fezes por medo de bronca. Eles precisam entender que evacuar no lugar certo não causa problema. Pelo contrário, rende aprovação.
Evite fazer festa exagerada se isso deixa o cão agitado. Um elogio feliz e uma recompensa já funcionam bem.
5. Aumente passeio, brincadeira e enriquecimento
Um cachorro cansado e estimulado tem menos tempo para virar crítico gastronômico de fezes.
Boas ideias:
Passeios com tempo para farejar.
Brinquedos recheáveis apropriados.
Brincadeiras de procurar petiscos pela casa.
Treino curto de comandos.
Mordedores seguros.
Rotina previsível.
Farejar cansa a mente. Para muitos cães, 15 minutos de faro valem mais do que uma maratona de bolinha. O nariz trabalha, o cérebro participa e o tédio perde espaço.

Quando o problema pode estar na saúde
Se o hábito é frequente, surgiu de repente ou vem acompanhado de outros sinais, não trate como “manha”. Pode haver algo acontecendo.
Fique de olho em:
Sinal observado | O que pode indicar |
Muita fome o tempo todo | Dieta insuficiente ou alteração de saúde |
Perda de peso | Problema digestivo ou outra condição |
Diarreia frequente | Vermes, intolerância ou doença intestinal |
Vômitos | Irritação digestiva ou ingestão inadequada |
Fezes muito volumosas | Digestão ruim ou alimentação inadequada |
Mudança brusca de comportamento | Estresse, dor ou desconforto |
Manuais veterinários e profissionais de saúde animal costumam relacionar esse comportamento a causas comportamentais e também clínicas. Por isso, o melhor caminho é investigar sem pânico.
Leve ao veterinário informações úteis:
Quando começou.
Com que frequência acontece.
Se ele come as próprias fezes ou de outro animal.
Qual alimento consome.
Horários das refeições.
Mudanças recentes na casa.
Sinais como vômito, diarreia, coceira, emagrecimento ou aumento da sede.
Quanto mais detalhes, melhor. Veterinário ama informação útil. Ama mais que planilha? Talvez não. Mas chega perto.
O que não fazer de jeito nenhum
Algumas atitudes pioram o problema. Mesmo com boa intenção.
Não esfregue o focinho nas fezes
Isso é injusto, assusta o cão e não ensina o comportamento certo. Pode aumentar medo, ansiedade e até a tentativa de esconder as fezes depois.
Não grite nem persiga o cachorro
Para alguns cães, a perseguição vira brincadeira. Para outros, vira estresse. Nos dois casos, você perde.
Se ele pegou fezes na boca, chame com calma e ofereça troca por algo permitido. Depois limpe o ambiente.
Não use soluções caseiras sem orientação
Tem gente que recomenda colocar coisas fortes nas fezes para “dar nojo”. O problema é que algumas substâncias irritam a boca, o estômago ou podem fazer mal.
Também não use temperos, produtos de limpeza, pimenta ou receitas da internet. O intestino do seu cão não precisa participar de reality show.
Não ignore se houver sinais físicos
Se o cachorro comendo cocô também apresenta apatia, emagrecimento, gases fortes, diarreia ou muita fome, procure atendimento. O comportamento pode ser um sintoma, não só uma mania.
Um plano simples para os próximos 14 dias
Quer um caminho direto? Faça assim por duas semanas.
Dias 1 a 3
Observe e anote.
Em quais horários ele faz cocô.
Se come logo depois ou procura mais tarde.
Se acontece mais quando está sozinho.
Se existe competição com outro pet.
Como estão as fezes.
Aqui você monta o mapa do crime. Sem lupa, sem trilha sonora, só atenção.
Dias 4 a 7
Remova oportunidades.
Recolha fezes imediatamente.
Acompanhe o cão no quintal.
Use guia em locais de risco.
Bloqueie acesso a caixas de areia, se houver gatos em casa.
Mantenha rotina de alimentação previsível.
Dias 8 a 10
Comece o treino.
Treine “deixa” em sessões curtas. Cinco minutos já ajudam. Faça em ambiente calmo, sem fezes envolvidas no começo. Depois aumente a dificuldade aos poucos.
Também recompense o cão quando ele fizer cocô e se afastar.
Dias 11 a 14
Aumente estímulos.
Adicione passeio com farejo, brinquedos seguros e brincadeiras simples. Se o comportamento diminuir, continue. Se continuar igual ou piorar, marque consulta.
O sucesso não precisa ser perfeito logo de cara. Se antes ele corria para comer e agora hesita, já é avanço. Se ele responde ao chamado, melhor ainda.
Como lidar em casas com mais de um cachorro
Quando há vários cães, o mistério fica mais animado. Quem fez? Quem comeu? Quem só assistiu? Parece episódio policial, versão quintal.
Algumas medidas ajudam:
Alimente os cães em locais separados, se houver disputa.
Observe a evacuação de cada um.
Recolha as fezes de todos rapidamente.
Veja se um cão come só as fezes de outro.
Garanta que cada animal tenha tempo de passeio e atenção.
Se um dos cães está com fezes muito diferentes, moles, volumosas ou com cheiro muito forte, vale investigar. Às vezes o interesse do outro aumenta por causa da composição das fezes.
FAQ sobre cachorro comendo cocô
Comer cocô faz mal para o cachorro?
Pode fazer. O risco depende da origem das fezes. Fezes podem carregar vermes, bactérias e restos de medicamentos. Fezes de outros animais trazem mais risco. Mesmo quando não causa problema imediato, o ideal é impedir.
Meu cachorro come cocô porque falta vitamina?
Pode acontecer em alguns casos, mas não é a única explicação nem a mais simples. Tédio, hábito, ansiedade, medo de bronca e manejo do ambiente são causas muito comuns. O veterinário pode avaliar dieta e exames se necessário.
Filhote que come cocô para sozinho?
Alguns param com o tempo, principalmente com rotina e treino. Mas não vale esperar de braços cruzados. Recolha as fezes rápido, ensine “deixa” e evite broncas. Quanto menos o filhote repetir, melhor.
Posso usar produtos ou receitas para ele parar?
Não use nada sem orientação veterinária!
Receitas caseiras podem irritar o estômago ou causar outros problemas. O mais seguro é ajustar rotina, alimentação, treino e checar a saúde.
Cachorro come cocô para chamar atenção?
Pode ser. Se toda vez que ele faz isso recebe gritos, corrida e confusão, ele aprende que o comportamento gera reação. Nesse caso, o melhor é prevenir o acesso e recompensar quando ele ignora as fezes ou atende ao chamado.
O caminho mais seguro é juntar treino, rotina e
veterinário
Fazer o cachorro parar de comer cocô exige paciência, não escândalo. Comece pelo básico: recolha rápido, pare com broncas, ensine “deixa”, melhore os estímulos e revise a alimentação.
Se o hábito apareceu do nada, é intenso ou vem com sinais físicos, marque uma consulta. Assim você separa o que é comportamento do que pode ser saúde.
No fim, a meta é simples: transformar o cocô em algo sem graça. Que ele olhe, ignore e siga a vida. Você também agradece. Seu nariz, então, manda flores.



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